“Tenho vergonha de ser irmão desse capitão do mato”, diz Wadico Camargo sobre presidente da Fundação Palmares

Wadico também divulgou um abaixo-assinado para destituição do irmão, Sergio Nascimento, que foi nomeado pelo governo Jair Bolsonaro para presidir a Fundação Palmares


O músico e produtor cultural Oswaldo de Camargo Filho, o Wadico Camargo, foi às redes sociais na noite desta quarta-feira (27) protestar contra a nomeação do irmão, Sergio Nascimento de Camargo, para a presidência da Fundação Palmares, entidade criada para defender e fomentar a cultura e manifestações afro-brasileiras.

“Tenho vergonha de ser irmão desse capitão do mato. Sérgio Nascimento de Camargo, hoje nomeado presidente da Fundação PALMARES”, escreveu Wadico, em sua página no Facebook.


O produtor cultural, que é filho do escritor Oswaldo de Camargo, ainda divulgou um abaixo-assinado em suas redes “pela troca do presidente da Fundação Palmares, Sergio Nascimento”. Ativista do movimento negro, Wadico é idealizador do grupo “A Rede do Samba”.

Militância na literatura
Filho de colhedores de café analfabetos, o poeta, contista, romancista, pesquisador e jornalista Oswaldo de Camargo, pai de Sérgio e Wadico, aos 83 anos é coordenador de literatura do Museu Afro Brasil.

“Minha militância é na literatura”, disse em entrevista ao site da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Para ele, “o negro não é só vítima do preconceito, também é vítima da indiferença”.

Camargo é especialista em literatura negra, autor do livro O negro escrito – apontamentos sobre a presença do negro na literatura brasileira e considerado um dos principais representantes no Brasil desse segmento literário. Entre suas obras, destacam-se A descoberta do frio, O oboé e Raiz de um negro brasileiro. Por seu ensaio sobre literatura negra ele recebeu a Medalha de Mérito Cruz e Sousa, da Secretaria de Cultura de Santa Catarina, e a Medalha Zumbi dos Palmares, da Câmara Municipal de Salvador (BA).

Fundação Palmares
Nomeado presidente da Fundação Palmares pela Secretaria de Cultura do Governo Federal, Sérgio Nascimento é um contraponto na família.

Ele é contra o dia da Consciência Negra, já disse que a atriz Taís Araújo deve voltar para a África e afirmou que a escravidão foi boa porque negros viveriam em condições melhores no Brasil do que no continente africano. “Merece estátua, medalha e retrato em cédula o primeiro branco que meter um preto militante na cadeia por crime de racismo”, escreveu o novo presidente da Fundação Palmares.

Para Nascimento, artistas como Gilberto Gil, Leci Brandão, Mano Brown, Emicida são todos “parasitas da raça negra no Brasil”. Em uma postagem nas redes sociais, Sérgio disse que a Fundação agora seguirá os preceitos bolsonaristas.

“Fui nomeado nesta quarta-feira presidente da Fundação Cultural Palmares, a convite do secretário especial da Cultura, Roberto Alvim. Assumir o cargo será uma grande honra e ao mesmo tempo um desafio! Grandes e necessárias mudanças serão implementadas na Fundação Palmares. Sou grato a Deus por essa oportunidade. Minha atuação à frente da Fundação será norteada pelos valores e princípios que elegeram e conduzem o governo Bolsonaro”, escreveu.
Fonte : Fórum 

Comentários

  1. Bom dia a todos, sou Enfermeira ,respeito a opiniao alheia ,mas diante de um fato como esse e impossivel ;aceitar mesmo porque , a escravidao ate nos dias de hoje nos traz cicatrizes profundas, deixada por uma sociedade ,racista que nos fez um tratamento indigno de aceitar ate hoje , qtos irmaos perderam sua vida ,familia e o pior sua identidade .Por isso nao devemos aceitar um representante que nao nos representa , perante a comunidade negra.

    ResponderExcluir
  2. Este capitão do mato não passa de um oportunista que defende os próprios interesses($$$). Tem por função: manter as mentes negras colonizadas e promover instabilidades e rupturas. Retroceder jamais!Basta!!Honramos a luta dos nossos ancestrais e nos sentimos orgulhosos de nossa resistência!

    ResponderExcluir
  3. Não discordo totalmente dele, não sou a favor das cotas, pois para isso vc separa o negro do branco, sou a favor de uma educação igualitária, sou branca sim se é essa a questão, sofri preconceito por ser filha de desquitada, perdi meus pais cedo, passei fome, abdiquei dos meus sonhos p ir falta de oportunidade, hoje tenho uma prótese, sou deficiente, mas por ser interna sofro preconceito por ter que explicar toda vês que me barram na porta do banco... isso tudo não é preconceito, somente pq sou branca.... se fosse negra teria que ser defendida? Não tenho direito a defesa e nunca tive, sou branca, quer dizer que tenho uma vida linda c tudo a meu favor. Sou descendentes dos italianos que vieram substituir os escravos. Mas a situação era uma escravidão, estudem a história dos primeiros imigrantes o quanto sofreram.... Já se passaram 100 anos da abolição, vamos ser iguais, e não separados por cotas e direitos diferentes. O ser humano é igual dia da consciência humana, essa sim seria minha bandeira. Boa sorte aos que querem continuar a serem segregados com direitos e cotas apartados dos demais.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Comente , dê sua opinião!
Beijo das Pretas