ÍCARO SILVA DEFENDE LIBERDADE SEXUAL EM ENTREVISTA: ‘SOU BICHA PRETA’



By Felipe Martins 

O ator Ícaro Silva concedeu entrevista ao programa do jornalista Pedro Bial ao lado do amigo e também ator Jesuíta Barbosa. Os dois artistas falaram abertamente sobre sexualidade e representatividade LGBTI+.

Jesuíta já havia abordado o tema da liberdade sexual em uma entrevista para a Vogue. Na publicação de maio, o pernambucano rejeitou rótulos sobre sua orientação, mas se expressou politicamente. “Se for para me colocar em função da comunidade [LGBT], pode escrever aí, por favor: sou viado”. Ícaro endossou, no Conversa com Bial, a fala do colega de profissão.

“Sim. Ser sexualmente livre, afetivamente livre. Se for pro bem da nação que digam que sou viado, no meu caso, bicha preta. Eu acho que fica muito perigoso quando a vida pessoal dos artistas ganha o primeiro plano porque não é disso que a gente está falando” , disse o ator do ABC paulista.

“Como artista, quando a gente se envolve com arte, você começa a perceber suas funções sociais. A minha vida pessoal, com quem estou dormindo, não tem a ver com o que quero mudar em relação ao público”, abordou.

Os atores refletiram sobre as ações reacionárias governamentais que tentam inibir a discussão sobre gênero e sexualidade.

“A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo tirou as apostilas que discutem sobre gênero nas escolas. Vem uma tal ministra que diz que isso não pode ser discutido mais. Todas as questões sexuais a gente está deixando de lado. É libertário a gente poder falar sobre isso. É um problema a gente deixar as pessoas ignorantes quanto a sexualidade, comentou Jesuíta Barbosa.
Os atores Ícaro Silva e Jesuíta Barbosa em entrevista para o Conversa com Bial. Foto: Reprodução/ TV Globo

Ícaro lembrou os altos números de crimes de ódio relacionados a gênero e orientação sexual no Brasil. Para o ator, a arte tem o papel de denunciar essa violência como forma de contribuir para o decréscimo do machismo e do sexismo na sociedade.

“A gente está falando de morte. Todo sexismo, machismo tem muito a ver com esse lugar do feminino. A própria liberdade de orientação sexual: quando você fala que gosta de homem, te diminuem porque você está se aproximando do feminino. Tem esse sexismo escroto. Isso é preciso ser falado porque são assassinatos. As mulheres são assassinadas. As transexuais são assassinadas. Se a gente não falar sobre esse assunto, como a gente vai dar continuidade à salvação da nossa população?”, concluiu.

Jesuíta afirmou na entrevista o papel do homem na luta contra a violência sofrida pela mulher e pela comunidade LGBTI+. “Eu não posso, enquanto homem, não estar em função disso. Eu acho que eu preciso, enquanto artista também, reafirmar o poder feminino. Não preciso ficar falando que sou homem. A gente tem que estar em função da mulher, respeitá-la, e respeitar também a comunidade LGBT e todas as diferenças”.

Em um momento divertido da entrevista, Bial exibiu uma cena de beijo entre os personagens de Jesuíta Barbosa e Irandhir Santos no aclamado filme Tatuagem. Bial perguntou ao ator se fôra a primeira cena de beijo em um homem em cena. Depois da confirmação, o jornalista emendou a pergunta: “E fora de cena?”. Jesuíta não se intimidou e respondeu: “Já tinha beijado vários”.

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