Em gesto racista, premiê do Canadá aparece em foto com rosto pintado de marrom




Candidato à reeleição, Trudeau se apresenta como defensor de minorias
Folha de São Paulo

A campanha à reeleição do primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, entrou em crise após uma imagem de 2001 do político com o rosto inteiramente pintado de marrom ser publicada pela revista Time nesta quarta-feira (18).

A prática, chamada de “blackface”, é racista. O termo surgiu para descrever atores brancos que encenavam papéis de negros no teatro, ambiente proibido para essas pessoas até meados do século 20.

A imprensa internacional também se referiu ao gesto como “brownface”, já que o primeiro-ministro representava uma pessoa de origem árabe.

O primeiro-ministro canadense lamentou o episódio. “Eu deveria ter sido mais cauteloso naquela época, mas não fui e por isso peço sinceras desculpas”, disse.

“Eu me fantasiei de Aladdin e usei maquiagem. Não deveria ter feito isso.”

A publicação relatou que a fotografia foi tirada quando Trudeau, então um professor de 29 anos, compareceu a uma festa à fantasia com o tema “Noites da Arábia” na escola West Point Grey, em Vancouver.

Zita Astravas, porta-voz da campanha do premiê, confirmou que o homem na foto é Trudeau. “Ele foi à festa fantasiado, acompanhado de amigos e colegas”, disse ela.

A notícia acrescentou incerteza à carreira política do premiê, que iniciou sua campanha à reeleição há uma semana. Ele tem se apresentado ao eleitorado como um defensor das minorias étnicas do Canadá.

A imagem foi fornecida por um empresário de Vancouver, Michael Adamso, e faz parte do anuário de 2001-2002 da escola.

O episódio foi comparado ao do governador do estado americano da Virgínia, Ralph Northam, que teve fotos divulgadas no início deste ano em que aparece de “blackface” posando ao lado de uma pessoa fantasiada de membro da Ku Klux Klan (KKK) —um grupo terrorista de supremacistas brancos dos EUA.

QUEDA DE POPULARIDADE
Em março deste ano, Trudeau se viu envolvido em um esquema de corrupção que comprometeu sua imagem pública.

O caso gira em torno de acusações de que a empresa multinacional de engenharia SNC-Lavalin, baseada em Québec, teria pago 47,7 milhões de dólares canadenses (R$ 456 milhões) em propinas a autoridades da Líbia para ganhar contratos no país. A companhia também teria fraudado o governo líbio e seus órgãos, gerando prejuízo de 129,8 milhões de dólares canadenses (R$ 401 milhões).

O primeiro-ministro e seus assessores foram acusados de pressionar a ministra da Justiça na época, Jody Wilson-Raybould, para suspender o investigação criminal contra a companhia porque uma condenação poderia custar milhares de empregos no Canadá e diminuir as chances políticas do Partido Liberal, do qual Trudeau é líder.

Ela não arquivou o inquérito, e em janeiro foi transferida para um cargo inferior no gabinete, o que na opinião de muitos foi uma punição. Depois, deixou o ministério.

O escândalo provocou a renúncia do principal assessor político de Trudeau e a abertura de uma investigação na Comissão de Ética do Parlamento sobre potenciais conflitos de interesses.

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