Ícone da arte urbana, Basquiat ganha mostra em SP nesta quinta




Depois da capital paulista, a exposição com mais de 80 peças segue para Brasília (21/04), Belo Horizonte (16/07) e Rio de Janeiro (12/10)
A aguardada mostra sobre Jean-Michel Basquiat (1960-1988) estreia nesta quinta-feira (25), em São Paulo, com entrada gratuita. Maior exposição sobre o artista feita no País, o CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) recebeu mais de 80 peças, entre quadros, desenhos, gravuras e objetos pintados.

As obras de Basquiat ficarão na capital paulista até 7 de abril para, em seguida, serem expostas em Brasília (21 de abril), Belo Horizonte (16 de julho) e Rio de Janeiro (12 de outubro).

Nos anos 80, Basquiat furou o bloqueio artístico predominantemente branco / Foto: Divulgação


Pieter Tjabbes, curador da exposição, negociou por cerca de dois anos a vinda do acervo. Os objetos pertencem à família Mugrabi, dona de uma das maiores coleções de Basquiat e Andy Warhol.

— Foi bastante difícil. As obras são de propriedade privada e estavam disputadas por outros museus na Coreia e na Rússia. Como optamos por uma exposição ampla, com mais de 80 artigos abordando todas as etapas da carreira do artista, conseguimos trazer as obras para o Brasil.


Basquiat e Andy WarholReprodução / Foto: Facebook - Jean-Michel Basquiat

Tjabbes lembra que sua estética e composição se tornaram influentes não apenas nas artes, como na moda, música e outros.

— Além disso, Basquiat, embora enfatizasse que nunca foi um grafiteiro, e sim um artista plástico, foi uma fonte de inspiração para os artistas de rua e continua sendo até hoje. Artistas como os Gêmeos e Kobra já declararam por várias vezes sua inspiração no artista.

Para Tjabbes, a obra do americano é tão complexa e profunda que a cada novo olhar para o seu trabalho descobrimos novas mensagens e conceitos colocados pelo ícone do neoexpressionismo.

— Um dos destaques da sua modernidade é o fato da sua pintura ir além das telas. Basquiat pintava tudo: pratos, portas, esquadrias de janelas e peças de madeira que encontrava pelas ruas. Ou seja, ele enxergava qualquer superfície como um espaço para arte. Hoje, essa prática se tornou consolidada no meio artístico. E a técnica de assemblage (trabalho no qual o artista une objetos, por colagem ou encaixe, expressando o seu imaginário) vista em praticamente todas as suas obras, é algo que está muito vivo em diversas vertentes artísticas.

A obra do americano é complexa e profunda / Foto: Divulgação

A "arte de combate" de Basquiat também chama a atenção. Nos anos 80, o jovem negro furou o bloqueio artístico predominantemente branco da época, trazendo à tona a negritude e denunciando o racismo. Tjabbes reflete que o americano ultrapassa o âmbito da cultura.

— Basquiat teve um papel de porta-voz das minorias que conseguiu dialogar muito bem tanto com o universo das galerias quanto com a mídia. Fez tudo isso sem abrir mão do seu estilo, de sua essência e obteve, ao mesmo tempo, um enorme sucesso comercial.

O curador diz que ele foi um artista politizado e muitos dos temas que levantou na época estão presentes nos principais debates de hoje em dia, inclusive, no Brasil.

— A discriminação contra minorias, o respeito às diferenças raciais e de gênero... esses temas estão todos em sua obra. Não podemos esquecer que se trata de um artista de pele negra, de origem caribenha, que, embora criado num ambiente de classe média, sofreu uma série de preconceitos raciais presentes na sociedade americana daquele tempo. E esses aspectos também estão na realidade de muitos brasileiros, por isso, fizemos questão de construir uma exposição que destacasse essa relação com a nossa cultura.

"Muitos dos temas que Basquiat levantou na época estão presentes nos principais debates políticos de hoje"
Pieter Tjabbes, curador da exposição

A retrospectiva em cartaz no CCBB vai relembrar a curta e significativa vida de Basquiat, que morreu de overdose, aos 27 anos, em 1988. Do início da carreira, destacam-se seus desenhos, pouco valorizados na época, que mostram um jovem mais transparente e independente. Já o início dos anos 1980, seu período mais produtivo, estão os quadros como Hand Anatomy(Anatomia da mão, 1982), Old Cars (Carros velhos, 1981), Rusting Red Car (carro vermelho enferrujado, 1984) e Loin (Lombo, 1982).


Yellow Tar and Feathers, de 1982, está na mostra / Foto: Divulgação


Em 1982, Basquiat conheceu Andy Warhol, considerado o pai da pop arte. A partir daí, eles trabalharam em parceria em uma série de quadros. Do trabalho conjunto, o público poderá ver Heart Attack(infarto, 1984). Nesse período, Basquiat foi um artista celebrado, disputado pelas galerias e com frequentes exposições internacionais.

Oportunidade imperdível para os brasileiros, o curador também entrega outras curiosiodades que estão no CCBB.

— Destaco as pinturas feitas por ele em diversas superfícies, como portas e pedaços de maneira. Também teremos desenhos, nos quais vemos um Basquiat mais puro do que nas telas. A mostra irá viajar por cada uma de suas fases, respeitando uma cronologia.

Exposição Basquiat em São Paulo
Quando: De 25/01 a 07/04
Onde: CCBB - Rua Álvares Penteado, 112 - Centro de SP
Quanto: Grátis
Contato: (11) 3113-3651 e ccbbsp@bb.com.br
Funcionamento: De quarta a segunda, das 9h às 21h
Convites: Para evitar filas e agendar a visita à exposição, acesse o site www.eventim.com.br ou app Eventim (Android ou IOS). Também é possível emitir seu ingresso na bilheteria física no CCBB São Paulo
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