Atriz de ‘Tempo de amar’ lembra vitória em concurso de miss na Baixada: ‘Única negra’



Body: está aí uma roupa para usar na cama, à mesa ou no banho. Pode ser uma adaptação da lingerie; combinada a outras peças — como saia, calça ou saída de praia — para sair; ou usada como maiô nas areias ou nas piscinas. Neste ensaio de moda, a atriz Eli Ferreira veste quatro modelos diferentes para as mais distintas ocasiões.


A própria artista, no ar em “Tempo de amar”, elege mais uma utilidade para os modelos que tem em casa:

Tenho poucos bodies para sair e muitos para praticar exercícios. Eu faço tecido, e o body é fundamental para ele (o tecido) não grudar no corpo — explica a artista, de 26 anos, que, diferentemente deste editorial, aparece com trajes dos pés à cabeça na novela.

Antes de desfilar pelas cidades cenográficas da TV, a atriz de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, ganhou notoriedade ao vencer um concurso de miss em sua região. Em seguida, Eli foi uma das finalistas do Miss Rio de Janeiro.

— Meu primeiro concurso foi aos 17 anos. Entrei porque não tinha nenhuma menina negra no concurso. Era incoerente uma competição na Baixada Fluminense não ter nenhuma representante da minha cor. No fim da seleção, venci — lembra.


Essa, no entanto, não foi a única vez em que Eli chegou ao topo. Quando prestou vestibular para a Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Pena, onde estuda, ela foi primeiro lugar. Dedicada, ela começou a trabalhar para ajudar a mãe aos 16 anos, chegou a estudar e a exercer a função de assistente de telemarketing. Quando se descobriu na arte, conciliou os estudos de interpretação com os trabalhos artísticos. Atualmente, saboreia uma sequência de trabalhos na TV — no ano passado, a atriz participou de “Malhação”. Sua trajetória mostra uma sorte diferente da personagem Tiana, da novela das seis, que sofre por não ter tido acesso à educação.

— Fui com a cara e com a coragem e, quando vi, tinha passado em primeiro lugar (no vestibular). Foi felicidade demais! — recorda ela, que explica como era sua infância e sua adolescência: — Sempre estudei em colégio público. Venho de uma família carente, sem luxos. Não passamos fome, mas crescemos com o básico. Minha mãe e meu padrasto eram trabalhadores, mas muitas pessoas do meu convívio tiveram que escolher entre trabalhar ou estudar, e optaram pelo trabalho porque tinham que comer. Eu me empenhei para ter uma formação, mas Tiana mostra além disso: que a questão do analfabetismo está ligada a uma herança social e também racial. Ela não pôde escolher muito.


Outro efeito da desigualdade, o preconceito já fez a atriz se indignar por não ter reagido a uma discriminação. Passado o episódio, ela opina sobre os frequentes relatos de agressões de artistas ou figuras públicas pela cor:

— Vivemos mais de 500 anos sofrendo e nunca se falou tanto sobre preconceito. Infelizmente, casos continuam acontecendo. Por isso, não importa o quanto se aborde o tema: enquanto as pessoas continuarem sofrendo, não vamos poder calar



.Fotos: Roberto Moreyra/ Beleza: Aline Moraes / Styling: Érick Maia / Agradecimento: 55/RIO Hotel

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