Alexandre Rodrigues, o Buscapé de ‘Cidade de deus’, sonha com papéis maiores em novelas: ‘Não quero pouco’


A goteira pingando na testa de Alexandre Rodrigues, de 34 anos, era um aviso: ele havia voltado à realidade. Em 2002, depois de ser aclamado como o Buscapé do filme “Cidade de Deus”, no Festival de Cannes, na França, o então morador da favela Cantagalo, em Copacabana, chegou em casa num dia de chuva. Pelo teto do barraco, caíam insistentes pingos d’água bem em cima de sua cabeça. Alexandre, que voltou à TV em “O outro lado do paraíso”, batalha desde então pelo próximo grande sucesso.

A carreira de ator é bonita, mas muito instável. Na minha carreira ainda falta um personagem mais marcante em novela. E espero que seja a das nove, porque eu não quero pouco! — brinca ele, no ar como o garimpeiro Valdo.


Alexandre, que se mudou para São Paulo no ano passado com a mulher, a atriz Cacá Santini, de 33 anos, tem feito uma série de pontas em tramas da Globo. Ele esteve, por exemplo, em produções como “Joia rara” (2013) e “Totalmente demais” (2015).

Agora no horário nobre, seu personagem vai sofrer no garimpo. A trama abordará mais a fundo o trabalho escravo em áreas rurais. É que Valdo e os demais funcionários de Sophia (Marieta Severo) terão que pagar por roupas, comida e moradia que receberam durante a exploração das esmeraldas. Na prática, eles ficam devendo aos patrões e não podem sair do trabalho até quitarem tal débito.

— O bacana dessa novela é que ela está denunciando muita coisa — opina o ator, satisfeito com o papel.

A prática é uma realidade no Brasil e configura trabalho escravo. Este ano, o tema ficou em evidência porque o presidente Michel Temer afrouxou as regras que combatiam esse crime. A Justiça, no entanto, o fez voltar atrás na medida que causou polêmica.


O ator fala sobre preconceito: “Procuro estar sempre arrumadinho”

Nem a fama em “Cidade de Deus” livrou Alexandre Rodrigues do racismo. Ele conta que vez ou outra vê alguém atravessando a rua ou segurando a bolsa um pouco mais junto ao corpo. O rapaz chega a evitar algumas peças de roupa para não ser alvo de preconceito.

— Existe, infelizmente, um estereótipo de assaltante. Para as pessoas, quem rouba é negro e se veste mal. Por isso, eu procuro estar sempre arrumadinho para não sofrer preconceito — conta Alexandre


Os temas políticos estão marcados na carreira do ator. Ele afirma, no entanto, que não escolhe personagem:

— Sou geminiano, cara. Não consigo decidir (risos).

Arrependimento, porém, Alexandre só tem um: quando assinou o contrato para “Cidade de Deus”, precisava escolher se receberia R$ 10 mil garantidos ou uma participação nos lucros. Sem imaginar o tamanho do sucesso que viria, optou pelo mais seguro:

— Para quem não tinha nem um real, R$ 10 mil é coisa pra caramba. Eu vivi quase um ano com esse dinheiro.


Opinião da Preta: Sucesso Alexandre !

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