Pesquisa alerta ,por conta do trabalho , o homem moderno perdeu o direito de ficar doente,

Acordar com dor de cabeça, no corpo e todo aquele mal-estar relacionado à gripe não costuma ser motivo para faltar ao trabalho, isso porque ficar em casa por conta de doenças sem gravidade pode ser encarado por colegas e empregadores como fraqueza. 
"Existe uma ampla gama de estados emocionais alterados associados com jornadas longas de trabalho"

A relação entre a alta produtividade exigida pelo mercado de trabalho e o direito de adoecer é o objeto de pesquisa do professor da USP (Universidade de São Paulo) Frederico Azevedo da Costa Pinto,pesquisador do Instituto de Estudos Avançados.
Formado em medicina veterinária, Pinto decidiu estudar o assunto ao perceber as semelhanças e diferenças como humanos e outros animais adoecem.

"Sabemos que expressar doença, além de um comportamento natural de qualquer espécie, favorece a recuperação do paciente por várias razões", diz. Mas ele percebeu que as pessoas expressavam menos comportamentos associados a doenças comuns do que em outros animais.

"Comecei a achar curioso que em sociedades competitivas isso parecia ser ainda mais marcante. Decidi tentar então abordar o mesmo assunto que tanto havia me interessado em animais de experimentação, dessa vez usando dados sobre saúde pública", conta.

 Há pessoas com mais direito de adoecer do que outras.  Teoricamente, sem dúvida que deveria existir uma relação positiva entre renda e direito maior de adoecer. Pessoas com menor renda e  mercado e maior instabilidade funcional teriam maior receio de perder um dia de trabalho. No entanto, nem sempre parece ser o caso.

De forma similar ao que ocorre com outros animais dominantes em grupos sociais, há uma pressão e uma cobrança por ser e mostrar-se muito forte e resistente. Em gorilas, sabe-se há tempos que há um "custo" biológico em ser o dominante.
Em CEOs de grandes empresas, isso ocorre de forma semelhante. 

Se, por um lado, essas pessoas com ótima renda e estabilidade de emprego poderiam faltar o quanto quisessem caso não se sentissem bem, por outro, devem passar uma imagem de invencibilidade e força acima dos indivíduos subordinados.

Infelizmente, a desestabilização das relações trabalhistas que pode ocorrer como decorrência da reforma proposta atualmente - que, indiscutivelmente, é necessária em certos aspectos - não parece contribuir para melhorar essa situação.

Estatísticas provenientes de alguns países mostram que o número de dias faltados por ano por doenças simples e ocupacionais é maior em funcionários que têm estabilidade de emprego e menor nos que são autônomos.

Isso mostra que os trabalhadores procuram atendimento médico na mesma proporção, porém, apenas aqueles que não vão perder seus empregos deixam de trabalhar e tentam se recuperar em casa.

"Quanto maior a instabilidade, precarização ou terceirização do corpo de funcionários, na minha opinião, mais facilmente substituível eles serão. Portanto, faltar um dia cria uma situação de receio de substituição, impedindo que o adoecer seja naturalmente expresso".
Fonte:Marcelle Souza / UOL

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