A cantora Mallu Magalhães pede desculpas pelo clipe racista da música ‘Você não presta’



Muito criticada e acusada de reforçar ideias racistas por causa do lançamento do clipe da música “Você não presta”, Mallu Magalhães veio a público nesta quarta-feira para pedir desculpas aos fãs. Segundo comunicado postado em suas redes sociais, a cantora explica que “a ideia era ter um clipe com excelentes dançarinos que despertassem nas pessoas a vontade de dançar, de se expressar”, mas que entende as “interpretações que derivaram do clipe”.

“A arte é um território muito aberto e passível de diferentes interpretações e, por mais que tentemos expressar com precisão uma ideia, acontece de alguns significados, às vezes, fugirem do nosso controle. Sei que o racismo ainda é, infelizmente, um problema estrutural e muito presente. Eu também o vejo, o rejeito e o combato. Li cada uma das críticas, dos posts e comentários, e o debate me fez refletir muito sobre o tema. Entendo as interpretações que derivaram do clipe, mas gostaria de deixar claro minhas reais intenções”, diz um trecho do comunicado.

Nas imagens, bailarinos negros dançam com o corpo com óleo, o que foi apontado por ativistas como uma atitude de hipersexualização do corpo e que remete a práticas usadas na época da escravidão, quando os escravos eram besuntados em banha para parecerem mais saudáveis e terem as mazelas físicas escondidas.

Leia abaixo o comunicado na íntegra:
“Fico muito triste em saber que o clipe da música “Você não presta” possa ter ofendido alguém. É muito decepcionante para mim que isso tenha acontecido. Gostaria de pedir desculpas a essas pessoas. Meu trabalho e minha mensagem têm sempre finalidade e ideais construtivos, nunca, de maneira nenhuma, destrutivos ou agressivos.

A arte é um território muito aberto e passível de diferentes interpretações e, por mais que tentemos expressar com precisão uma ideia, acontece de alguns significados, às vezes, fugirem do nosso controle.

Sei que o racismo ainda é, infelizmente, um problema estrutural e muito presente. Eu também o vejo, o rejeito e o combato.

Li cada uma das críticas, dos posts e comentários, e o debate me fez refletir muito sobre o tema. Entendo as interpretações que derivaram do clipe, mas gostaria de deixar claro minhas reais intenções.

A ideia era ter um clipe com excelentes dançarinos que despertassem nas pessoas a vontade de dançar, de se expressar. Foram convidados pela produtora e pelo diretor os bailarinos Bruno Cadinha, Aires d´Alva, Filipa Amaro, Xenos Palma, Stella Carvalho e Manuela Cabitango. Com a última, inclusive, tive a alegria de fazer aulas para me preparar para o vídeo.

É realmente uma tristeza enorme ter decepcionado algumas pessoas, mas ao mesmo tempo agradeço a todos por terem se expressado. E reitero o meu pedido de desculpa. É uma oportunidade de aprender.

Espero que, após este esclarecimento, seja aliviado deste espaço de conversa qualquer sentimento de ofensa ou injustiça, ficando os fundamentos nos quais tanto acredito: a dança, a arte e o convite à música.”
Confira o clipe.




A hiper sexualização no clipe, pessoas negras sempre aparecem com pouca roupa, ao contrário de Mallu, sempre coberta. As mulheres vestem calças jeans e shorts apertados com tops. Os homens, sem camisa.


A sexualização do corpo negro é conhecida desde a época colonial, quando existiam os escravos sexuais. Malu não apresenta suor no corpo e, apesar de dançar em conjunto com o grupo, fica evidente que não faz parte da comunidade.

O release  uma fala da artista em seu material de divulgação enviado à imprensa diz que o single quebra o vidro de sua imagem e coloca para fora “uma onda tão urbana quanto selvagem”. A frase, um tanto quanto infeliz, permite uma interpretação que essa “selvageria” seria a utilização de pessoas negras seminuas como dançarinos em um ambiente abandonado.

As grades a construção do clima “selvagem” está presente em uma cena onde apenas os dançarinos estão dentro de um prédio gradeado. Mallu não compõe o grupo neste momento. Com o cenário, o trecho cantado é o refrão “Eu convido todo mundo para minha festa, só não convido você porque você não presta”.


Um choque para a comunidade negra que se vê enjaulada mais uma vez, como em diversos pontos da história e da atualidade — vide a cor da maioria dos presidiários e presidiárias do país.

Marginalização assim como na cena da jaula, outras cenas de “Você Não Presta” mostram que Mallu não faz parte do grupo que a acompanha. O distanciamento cria um clima de destaque da cantora enquanto os dançarinos estão ao fundo. Em uma cena, a artista veste uma camisa do Oscar de 2002. Evento que premiou Denzel Washington como melhor ator e Halle Berry, atriz. Dois artistas negros.
Fonte : O Extra

Minha opinião: Eu acredito que tenha um tanto de exageros sim , tanto tem , que a cantora veio a público se retratar, através de uma nota. O que você acha?  Dê sua opinião.


Comentários

  1. Achei seu texto ótimo mas muito contido pois acredito que não só teve exagero, como as intensões negadas pela cantora foram pré definidas.
    Por mais que um vídeo seja imagem em movimento, as cenas são determinadas por composições principais determinadas pela direção de fotografia, logo as cenas, como das pessoas por trás das grades ou a cena do caminhão por exemplo, foram criadas antes do vídeo. O cinismo se torna evidente na resposta da cantora, quando ela se esquiva de ter feito qualquer recorte racial. Como a intenção era "só ter pessoas dançando" e etc e que ela não pensou nas possíveis interpretações se ela ta usando a camisa do Osca 2002? Cínica e dissimulada.

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  2. Engraçado q quando é funk dizendo, "meu pau te ama" e mulheres negras socando o rabo no chão ninguém critica nem pede pra o "cantor" se retratar.

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  3. Quando assisti ao clipe, graças a uma indicação do Rael no Twitter, a principio, gostei do trabalho, achei a frase titulo meia vulgar, mas vendo o clipe, não achei grave. Pessoas bonitas, dança, uma mudança no trabalho dela, gostei. O que me causa estranheza é o fato da Mallu Magalhaes vir a publico e pedir desculpas.

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