Chefe revela que Hamilton sofreu racismo na infância e carrega “cicatrizes”

Toto Wolff, chefe da Mercedes, comentou sobre ataques raciais que Lewis Hamilton sofreu na infância e como isso se transformou em motivação. O dirigente destacou ainda o problema que é a falta de diversidade no paddock da Fórmula 1, predominantemente branco

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Próximo de conquistar o hexacampeonato, Lewis Hamilton está escrevendo seu nome na história da Fórmula 1, quebrando recordes históricos e próximo de se tornar dono do recorde de mais vitórias na categoria. Mas sua trajetória até chegar a esse ponto não foi das mais fáceis. Por ser um dos poucos pilotos negros em um esporte com pouca diversidade racial, o inglês chegou a sofrer com ataques raciais no início de sua carreira, afirmou o chefe da equipe Mercedes Toto Wolff, nesta sexta (25).

Na coletiva dos chefes de equipe durante o GP do México, Wolff falou sobre os ataques que Lewis sofreu quando ainda estava no kart: “Quando Lewis era mais novo, ele era a única criança negra no meio das crianças brancas, e eu sei que ele sofreu ataques raciais”, comentou Toto.


Para o chefe da Mercedes, episódios como de Hamilton impactam a vida de uma pessoa: “Se isso acontece com uma criança de oito, dez anos, isso deixa cicatrizes que não desaparecem. Se, quando criança, você teve que conviver com abuso e discriminação, de um lado você se torna mais forte. Do outro, deixa cicatrizes”, afirmou durante a coletiva. 

Hamilton também sofreu com ofensas na Fórmula 1. Durante os testes da pré-temporada de 2008, em Barcelona, Hamilton sofreu ataques racistas de pessoas nas arquibancadas do Circuito da Catalunha, motivadas pela rivalidade com seu companheiro de equipe na McLaren, Fernando Alonso. O incidente ganhou bastante repercussão e entidades como a FIA, a Federação de Automobilismo da Espanha e o Ministério dos Esportes do Reino Unido se manifestaram, criticando o público e prometendo formas de coibir este tipo de ação.
Lewis Hamilton carrega "cicatrizes", comentou o chefe Toto Wolff (Foto: Beto 
Os ataques em Barcelona não abalaram Hamilton, que terminou campeão naquele ano. Para Wolff, esses episódios são parte da motivação de Lewis: “Hoje, Lewis tem uma perspectiva boa e madura, mas as cicatrizes estão lá. Isso não é apenas um fator de motivação para ele – as cicatrizes são testemunhas do que ele passou”.

Parte do grid desde 2007, ele foi o primeiro piloto negro da categoria e continua sendo o único até hoje. Durante o GP do Canadá, em junho deste ano, ele afirmou à BBC que gostaria de “abrir o caminho para pilotos de origens similares”. O inglês cresceu em uma moradia social fornecida pelo governo na cidade de Stevenage, ao norte de Londres.

O principal objetivo do atual pentacampeão é a redução dos custos nas categorias de base, para permitir a entrada de mais jovens negros e de classes sociais baixas no automobilismo. “Meu pai me conta que ele gastou £20.000 libras (cerca de R$100.000) no meu primeiro ano correndo, mas hoje, uma temporada profissional no kart custa entre 200 e 300 mil euros (entre R$900.000 e R$1.330.000). Eu quero ser parte desta mudança”, afirmou Hamilton em junho.

À época, o piloto também criticou a falta de ação das pessoas envolvidas com o esporte a motor: “Eu não sei porque não temos mais mecânicos ou engenheiros, ou até mesmo pessoas da imprensa abordando a diversidade”.

Toto Wolff também falou sobre a falta de diversidade na coletiva de imprensa desta sexta: “Nós temos que reconhecer que não temos muita diversidade na Fórmula 1, e, através do Lewis, eu aprendi a aceitar que é difícil superar a discriminação de tempos em tempos”, afirmou o chefe da Mercedes.

“Olhem ao redor da sala – não há muita diversidade. O racismo não é algo que está sempre às claras. É o seu lado mais sutil que machuca. Lewis me explicou isso. Eu nunca havia visto as coisas por esse lado antes”, completou Wolff.

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