Rafaela Silva perde para japonesa em “final antecipada”, mas bate francesa e é bronze no Mundial



Campeã olímpica da Rio 2016, judoca do Brasil encara Yoshida, campeã mundial de Baku 2018 na semi, e é derrotada. Na luta pelo terceiro lugar, derrota Sarah Leonie Cysique, da França

Por Carlos Gil e Gabriel Fricke, do Globo Esporte



A semifinal do terceiro dia de disputas do Mundial de Judô trouxe a luta mais esperada da categoria -57kg. De um lado, a brasileira Rafaela Silva, atual campeã olímpica. Do outro, a japonesa Tsukasa Yoshida, que levou o título mundial em Baku 2018. Na “final antecipada”, uma verdadeira batalha que terminou com o triunfo da atleta da casa. Em seguida, Rafa teve a chance de lutar pelo bronze contra a francesa Sarah Leonie Cysique e não decepcionou, confirmando seu favoritismo sobre a jovem de 21 anos e garantindo o pódio em Tóquio.

– Eu entrei aqui muito focada, queria muito ganhar o Mundial (chora). Infelizmente não consegui ganhar, mas fiquei feliz com minha competição. Para um atleta independe a cor, se é prata, bronze, ouro. Na minha categoria tem muitos atletas. Estar no bolo e entre as melhores da minha categoria me motiva muito para a Olimpíada – disse emocionada.

Visivelmente cansada por conta da entrega física que a semifinal contra a atual líder do ranking mundial exigiu, Rafa resistiu nos segundos iniciais da disputa do bronze. E a francesa adotou a mesma técnica da japonesa na luta anterior, de neutralizar a brasileira com a pegada na manga esquerda, que é canhota.

Guerreira, Rafaela conseguiu ainda assim construir um waza-ari. Uma segunda punição (shido) só deu mais emoção para os segundos finais. A campeã olímpica, no entanto, controlou a situação e ficou com o bronze. Quando a luta finalizou, ela comemorou e foi às lágrimas. O ouro ficou com Christa Deguchi, japonesa naturalizada canadense, que derrotou a nipônica Yoshida.

Trata-se da terceira medalha individual de Rafaela Silva em Mundiais. Ela ganhou a prata em Paris 2011, o ouro no Rio 2013 e agora o bronze em Tóquio 2019. Além disso, a judoca do Brasil levou a prata na disputa por equipes feminina no Rio 2013 e por equipes mistas em Budapeste 2017. A campeã olímpica da Rio 2016 está em quarto lugar no ranking mundial e buscando a vaga olímpica para os Jogos de Tóquio em 2020, que serão disputados na arena Nippon Budokan, palco do atual Mundial e também da Olimpíada de 1964, para a qual foi construída.
 Rafaela Silva vence francesa e é bronze no Mundial de Judô — Foto: Roberto Castro / rededoesporte.gov.br

O caminho de Rafaela Silva
Na estreia, Rafaela Silva encarou a marfinense Zouleiha Abzetta Dabonne. Demorou poucos segundos até que ela conseguisse um waza-ari. Logo depois, venceu por ippon. Ao todo, o duelo demorou 49 segundos. Em seguida, ela encontrou sua algoz do Mundial de 2017, Telma Monteiro, contra quem a carioca tinha um retrospecto de duas derrotas e uma vitória em três confrontos.

Contra a portuguesa, Rafa voltou a entrar muito focada. Telma se esforçou muito, mas quem abriu a pontuação com um waza-ari foi a brasileira. A luta, contudo, terminou porque a europeia levou três infrações. Dessa forma, ela se garantiu nas quartas de final para encarar uma pedreira, a russa Daria Mezhetskaia, que a derrotou no Grand Slam de Ecaterimburgo.

Novamente, Rafaela entrou com “sangue nos olhos”. Primeiro, veio o waza-ari. Depois, ela lançou a russa no chão para vencer por ippon e se garantir contra a japonesa Tsukasa Yoshida, promovendo a tão esperada luta entre a campeã olímpica e a campeã mundial.

O histórico do confronto colocava a nipônica em vantagem. Em quatro encontros, três vitórias contra uma de Rafa. Em 2019, foram duas finais entre elas em Grand Slams. A carioca, número 4 do mundo, venceu na decisão de Baku, e a rival, melhor do ranking mundial, ganhou em Dusseldorf.

O embate foi uma verdadeira guerra, e a japonesa estava neutralizando todas as tentativas da brasileira. Com um shido para cada lado, o confronto foi para o Golden Score. Yoshida forçou muito o jogo de chão, e Rafaela resistiu como pôde, mas, no fim das contas, ela cansou a atleta do Brasil e conseguiu vencer por ippon, garantindo a vaga na decisão e jogando a rival para a disputa do bronze contra a jovem francesa Sarah Leonie Cysique.

Na disputa do bronze, mais uma luta difícil. Cysique lutou bem parecido com a japonesa Yoshida na luta da semifinal, neutralizando os movimentos de Rafaela. A brasileira, contudo, conseguiu um waza-ari. Ela levou dois shidos, mas segurou a europeia e comemorou o terceiro lugar, muito emocionada.
Rafaela Silva lamenta derrota para a japonesa no Mundial de Judô — Foto: Roberto Castro / rededoesporte.gov.br


Veja os atletas brasileiros participantes e o serviço do Mundial de Judô
Local: Nippon Budokan – Tóquio, Japão
Capacidade: 10.000 lugares
Transmissão: finais às 7h no SporTV 3

AGENDA (horários de Brasília)

DIA 4 (28/08)
Categorias: 63kg feminina e 81kg masculina (meio-médio)
63kg – Ketleyn Quadros e Alexia Castilhos
81kg – Eduardo Yudi
Classificatórias – 23h (*dia 27)
Finais – 7h

DIA 5 (29/08)
Categorias: 70kg feminina e 90kg masculina (médio)
70kg – Maria Portela
90kg – Rafael Macedo
Classificatórias – 00h
Finais – 7h

DIA 6 (30/08)
Categorias: 78kg feminina e 100kg masculina (meio-pesado)
78kg – Mayra Aguiar
100kg – Leonardo Gonçalves e Rafael Buzacarini
Classificatórias – 00h
Finais – 7h

DIA 7 (31/08)
Categorias: +78kg feminina e +100kg masculina (pesado)
+78kg – Maria Suelen Altheman e Beatriz Souza
+100kg – David Moura e Rafael Silva
Classificatórias – 1h
Finais – 7h

DIA 8 (01/09)
Equipes mistas
Classificatórias – 1h
Finais – 7h20

Obs.: Fora os atletas citados acima, que estão no individual e podem ser usados na disputa por equipes, há mais quatro convocados somente para o torneio de times. São eles: Eduardo Katsuhiro Barbosa (73kg); Jeferson Santos Junior (73kg); Tamires Crude (57kg) e Ellen Santana (70kg)

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