Professor acusado de racismo pode ser expulso, diz diretor da USP

Eduardo Lobo Gualazzi distribuiu um texto elogiando a ditadura e defendendo o casamento entre homem e mulher da mesma etnia






O diretor em exercício da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Celso Fernandes Campilongo, afirmou na noite de quarta-feira 27, que o caso interpretado como de racismo e preconceito envolvendo o professor Eduardo Lobo Gualazzi pode fazer com que ele seja expulso da instituição.

A polêmica ocorreu na segunda-feira 25, quando Gualazzi distribuiu aos alunos um texto elogiando a ditadura militar, dizendo que pobres são “minoria do submundo”, que LGBTs são aberrações, defendendo o casamento entre homem e mulher da mesma etnia, entre outras coisas. Além disso, o professor declarou apoio a Jair Bolsonaro. A aula com viés ideológico, como definiria o presidente, chocou alunos e gerou uma corrida crítica às redes sociais.

A notícia boa para os indignados: um processo deve ser aberto para investigação do caso. A ruim: o processo corre lentamente e é provável que Gualazzi se aposente antes de qualquer tipo de decisão.
Continência a 1964

Não é a primeira vez que Gualazzi gerou polêmica. Em março de 2014, ele ministrou a aula “Continência a 1964”, na qual fez um discurso pró-ditadura militar.

Campilongo escreveu uma nota repudiando a atitude do professor na qual ele diz que a USP “zela pela liberdade de cátedra e expressão e repudia manifestações de discriminação, preconceito, incitação ao ódio e afronta aos Direitos Humanos”.

Em entrevista a CartaCapital, o diretor contou que o apoio recebido à posição da faculdade foi de 100% e que ele está aguardando algum aluno ou professor abrir uma sindicância contra Gualazzi. “Isso envolveria até mesmo uma ilicitude penal”, afirmou.

O diretor titular da faculdade é Floriano de Azevedo Marques Neto, que está de férias. Campilongo, que é vice, está respondendo pelo caso. Ele afirmou que qualquer atitude vinda da diretoria será uma decisão em colegiado. “O professor é concursado e tem 72 anos. Com 75 ele se aposenta. Existem muitas instâncias burocráticas administrativas que podem ser observadas, mas não compete a mim instaurar esse processo. Os alunos estão cogitando abrir. Isso precisa ser aprovado e não depende da diretoria, mas do conselho que se formará ”, afirmou o diretor.

A parte do material em que Gualazzi afirma ser a favor do casamento entre homem e mulher da mesma etnia pode ser interpretada como racismo – o que geraria uma denúncia criminal. Campilongo se antecipa e diz que qualquer questão penal não cabe à universidade, mas à Justiça. “Todo processo que cabe a nós é uma sindicância interna para investigar o caso e, se comprovado, fazer ele perder o direito de dar aula.” E deixa claro: “Como tudo é muito demorado, duvido que seja resolvido antes de ele se aposentar.”

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