Supermercado é acusado de racismo após associar mulher negra a vassoura

Uma rede de supermercados do Paraná foi acusada de racismo após uma propaganda que associa uma mulher negra a uma vassoura. A imagem gerou indignação dos usuários e de movimentos sociais. Na foto, feita em um supermercado da Rede Condor, em Ponta Grossa (PR), aparece a figura de uma mulher negra, de cabelos crespos e vestida de vermelho. Na frente dela, uma pilha de vassouras de cerdas pretas e cabo vermelho.

Foto da boneca negra segurando uma vassoura




A publicação foi feita  quarta-feira (13/02), no perfil pessoal da jornalista Cíntia Velasco Capri, no Facebook. “Minha publicação virou um show de horror”, narrou a jornalista, que apagou a postagem. Em nota de repúdio, o Movimento das Mulheres Negras de Ponta Grossa e Instituto Sorriso Negro dos Campos Gerais (Moolaadé) critica a publicidade e mostra os motivos pelos quais ela é considerada racista.

“A representação da mulher negra fora construída por meio dos mais repulsivos esteriótipos, que partem da sexualização do corpo, chega ao cabelo de ‘vassoura’, caminha pelo lugar de serviçal até chegar à ‘nega maluca”. A nota ainda comenta que a imagem não deve ser vista com “naturalidade e apreço”, mas sim, com “criticidade e empatia”.
“A imagem do negro e da negra segue estereotipada e estigmatizada desde o século XIX em nossa sociedade. A sociedade não consegue se desprender da imagem da(o) negra(o) enquanto servil, mesmo depois da(o) negra(o) liberta(o)”. O material ainda cita a pesquisa, realizada em 2011, que aborda a Representação de Negros e Negras na Publicidade de Catálogos de Lojas.

A pesquisa mostra que que os negros e negras aparecem nas propagandas, principalmente, em papéis estereotipados como: trabalhador braçal, artista, “mulata”, carente social, atleta, primitivo, caricato e em campanhas de doenças sexualmente transmissíveis.

A rede de supermercados Condor também se pronunciou por meio de uma nota, afirmando que respeita a diversidade e que a publicidade pertencia a uma empresa terceirizada.

Confira a íntegra da nota:

O Condor Super Center afirma que nestes 45 anos de história sempre primou por atender aos clientes da melhor maneira possível, sempre pautado pela ética e no respeito pela diversidade. Com relação ao merchandising feito por um funcionário de uma empresa terceirizada, a rede destaca que retirou o material prontamente. Também foi conversado com o profissional, que se desculpou e deixou claro que jamais faria algo racista. Sendo assim, a rede destaca que não compactua com nenhum tipo de preconceito, que continuará trabalhando a favor da diversidade dentro de suas lojas e que as diferenças, sejam elas qual forem, devem ser respeitadas

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