Spike Lee ganha primeiro Oscar 'oficial', após levar prêmio honorário em 2002



Parece mentira que um símbolo do cinema americano como Spike Lee, dono de uma poderosa carreira marcada pelo compromisso com a cultura afro-americana, não tivesse recebido até este ano nenhuma indicação ao Oscar de melhor direção.

O momento chegou finalmente para Lee com "Infiltrado na Klan", a insólita história de um policial negro que conseguiu se infiltrar nas fileiras da ultraconservadora e racista Ku Klux Klan e que permitiu ao diretor brincar com o drama e a comédia e flertar, em certos momentos, com o "blaxploitation" (movimento cinematográfico dos anos 70 protagonizado por afro-americanos).



Embora nunca tenha levado uma estatueta, o responsável por grandes obras como "Faça a Coisa Certa" (1989) e "A Última Noite" (2002) tem um Oscar honorário da Academia pela sua brilhante trajetória.

Spike Lee leva o prêmio na categoria de roteiro original por 'Infiltrado na Klan'.
Lee subiu ao palco e pulou nos braços de um dos apresentadores da categoria, Samuel L. Jackson.


Leia o discurso de Spike Lee:

"Hoje é 24 de fevereiro, o mês mais curto do ano. Também é o mês do ano da história negra. 1619... Há 400 anos nós fomos roubados da África e trazidos para a Virginia, escravizados. A minha avó, que viveu até 100 anos de idade, apesar de sua mãe ter sido escrava, conseguiu se formar. Ela viveu anos com seu seguro social, e conseguiu me levar para a universidade NYU. Diante do mundo, eu gostaria de reverenciar os ancestrais que construíram esse país, e também os que sofreram genocídios. Os ancestrais que vão ajudar a voltarmos a ganhar nossa humanidade. As eleições de 2020 estão chegando, vamos pensar nisso. Camos nos mobilizar, estar do lado certo da história. É uma escolha moral. Do amor sobre ódio. Vamos fazer a coisa certa".


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