Espero que a justiça seja feita', diz Oprah sobre caso João de Deus



Apresentadora retirou vídeo com o médium de seu canal no YouTube; documentário sobre guru também foi removido de plataformas digitais.

A apresentadora americana Oprah Winfrey retirou de seu canal do YouTube o vídeo em que entrevista João Teixeira de Faria, o médium conhecido como João de Deus. A retirada ocorre após a série de denúncias de abuso sexual contra o líder espiritual e uma campanha on-line feita por brasileiros.

Oprah também removeu um texto em seu site em que caracterizava o encontro com João de Deus como "inspirador".
A americana divulgou, nesta quarta-feira, 12, uma nota na qual diz ter empatia pelas mulheres que acusaram o médium de abuso sexual após terem procurado tratamento espiritual.

Eu fui ao Brasil em 2012 para gravar um episódio de Oprah’s Next Chapter (próximo capítulo de Oprah, em tradução livre) que explorou os métodos controversos de cura de João de Deus. O episódio foi ao ar em 2013. Eu tenho empatia pelas mulheres que estão se apresentando agora e espero que a justiça seja feita”, afirmou Oprah, em nota.

A apresentadora é uma das apoiadoras do movimento #MeToo nos Estados Unidos, que se ganhou extrema visibilidade em 2017 após uma onda de denúncias de assédio sexual em ambientes de trabalho. O estopim do movimento foram as acusações contra o produtor de cinema Harvey Weinstein.

Este não é o primeiro caso de retirada de conteúdo após as denúncias de abuso sexual contra o médium João de Deus. A distribuidora Paris Filmes deixou de disponibilizar o filme "João de Deus — O silêncio é uma prece" de todas as plataformas digitais em que estava hospedado.

No longa lançado no primeiro semestre deste ano, dirigido por Candé Salles, depoimentos de fiéis são registrados e intercalados com cirurgias espirituais. Não há nenhum registro dos abusos sexuais apontados na última semana.

A força-tarefa do Ministério Público de Goiás realizou, até o fim da tarde desta terça-feira, 206 atendimentos a mulheres que se apresentam como vítimas de João de Deus. Duas delas residem no exterior — uma nos Estados Unidos e outra na Suíça. O MP ainda não definiu como serão coletados os depoimentos das vítimas que residem no exterior.

A maioria das possíveis vítimas fizeram contato por meio do canal criado exclusivamente para essa finalidade, o e-maildenuncias@mpgo.mp.br . Elas se identificaram como sendo de Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul.
Todas mulheres que entram em contato com a força-tarefa estão sendo orientadas a procurarem o Ministério Público de seu estado, que ficará responsável pela coleta de depoimentos. Em seguida, essas provas serão enviadas para força-tarefa do MPGO, que conta com cinco promotores de Justiça e duas psicólogas.

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