Morre a ativista anti-apartheid Winnie Mandela, aos 81 anos

Morreu nesta segunda-feira a política e ativista contra o apartheid na África do Sul, Winnie Madikizela-Mandela, confirmou seu assistente pessoal, Zodwa Zwane, ao jornal local Times.



Líder anti-apartheid e membro do Congresso Nacional Africano (ANC) Nelson Mandela, e sua esposa Winnie Madikizela-Mandela, levantam os punhos após a libertação de Mandela da prisão de Victor Verster em Paar - 11/02/1990 (Walter Dhaldhla/AFP)


Winnie foi esposa de Nelson Mandela durante a luta contra o regime do apartheid na África do Sul


Ela morreu pacificamente e rodeada por familiares, após uma longa doença que levou a repetidas internações desde o início do ano passado, disse o porta-voz Victor Dlamini em comunicado.

Winnie, que tinha 81 anos, foi esposa de Nelson Mandela durante 38 anos, sendo 27 deles enquanto ele esteve preso na Ilha Robben. Se separaram em 1992, dois anos antes de Madiba se tornar o primeiro presidente negro da África do Sul, mas a separação só se tornou oficial em 1996.

“Ela lutou valentemente contra o Estado do apartheid e sacrificou sua vida pela liberdade do país”, disse Dlamini. “Ela manteve viva a memória de seu marido preso Nelson Mandela durante seus anos na Ilha Robben e ajudou a dar à luta pela justiça na África do Sul um de seus rostos mais reconhecidos”.
Ativista controversa

Nascida em 26 de setembro de 1936, na província de Cabo Oriental (sul), de onde Nelson Mandela também é natural, obteve diploma universitário em Serviço Social, uma exceção para uma mulher negra na época. Seu casamento em junho de 1958 com Nelson Mandela – ela com 21 anos e ele, divorciado e pai, com quase 40 – foi rapidamente perturbado pelo engajamento político de seu marido.

“Nunca tivemos uma vida familiar (…) não podíamos tirar Nelson de seu povo. A luta contra o Apartheid, pela Nação, vinha primeiro”, escreveu ela em suas memórias.

Conhecida como “Mãe da Nação” entre seus partidários, Winnie foi uma importante ativista na luta contra o fim do apartheid. Tornou-se uma das principais figuras do Congresso Nacional Africano (CNA), a ponta de lança da luta contra o Apartheid.

No entanto, também foi uma ativista controversa, acusada de diversas violações de direitos. Com o tempo, a radical “paixão dos townships” se revelou, porém, uma desvantagem e um constrangimento para o CNA. Enquanto supostos traidores da causa anti-apartheid eram queimados vivos com um pneu no pescoço, ela dizia que os sul-africanos deveriam se libertar com “caixas de fósforos”. Um verdadeiro chamado ao assassinato.

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