Jovem denuncia racismo, espancamento e humilhação em shopping e vai processar

Um jovem de 24 anos registrou boletim de ocorrência por espancamento e racismo sofridos, segundo ele, em um shopping na Capital. Edward Santana Pinheiro narra que foi chutado e esbofeteado na quinta (19) por homens, que o apontaram como suspeito de assalto a uma casa de câmbio.


A agressão teria acontecido por volta das 15h. O advogado de defesa João Ricardo Vaucher afirma que Edward estava em uma livraria quando foi abordado por três homens, já com torção de braço e enforcamento (mata-leão). “Os homens já o abordaram dizendo que ele era suspeito de assaltar uma loja de câmbio, dentro do shopping, e já dizendo para ele entregar uma suposta comparsa, que teria o ajudado no assalto”.

“Homens já o abordaram dizendo que ele era suspeito de assaltar uma loja de câmbio”

A defesa afirma ainda que o cliente participava de seleção para emprego em duas fast-food no shopping e havia entrado na livraria para usar computador com acesso à rede para imprimir cópias do currículo. Depois da abordagem na livraria, teria sido arrastado para a sala de segurança, onde ficou cerca de 30 minutos. O advogado lamenta que o jovem tenha sido obrigado a baixar as calças, teve o celular tomado e levou tapas no rosto e pontapés pelo corpo.

“Fizeram revista íntima nele, tomaram o celular e ficaram cerca de meia hora com ele dentro da sala de segurança. Ele [Edward] não soube identificar se os homens eram vigilantes ou da PM (Polícia Militar). Nenhum deles tinha identificação. O que ele conseguiu dizer é que um estava de colete, e dois vestiam camisa branca e calça preta”.

Questionado sobre a denúncia de crime por racismo, o advogado João Ricardo Vaucher disse ainda que “não é difícil deduzir que Edward fora abordado por ter altura mediana e a pele de cor escura”. Ele não citou frases que o jovem teria ouvido em referência à cor da pele.

No boletim de ocorrência registrado no mesmo dia da agressão na 1ª Delegacia da Polícia Civil de Cuiabá, os dois homens da abordagem são identificados como policiais militares. Quando entraram na sala de segurança, um terceiro homem identificado como segurança do shopping juntou-se ao interrogatório.

“Narra o comunicante que estava no Shopping, dentro da loja Janina, quando dois homens, que se identificaram como policiais militares, o abordaram alegando que havia denúncias que ele iria cometer um assalto em loja de câmbio. A vítima relata que negou que estaria ali para cometer qualquer crime e que estaria no local para entregar alguns currículos”, diz trecho do BO.

“Declara que os suspeitos o tiraram da loja e começaram o agredir (sic) com tapas e pontapés e que o levaram para a sala do chefe de segurança juntamente com outro homem que se identificou como segurança do shopping. Que foi mantido preso no local, sob ameaças e agressões dos suspeitos que a todo momento o chamavam de ‘vagabundo, safado, ladrão’. Declara que nenhum dos suspeitos que se identificaram como policiais apresentou documentação”, complementa.

Uma fonte disse à reportagem que não houve registro de assalto na loja de câmbio no dia em que o boletim foi registrado.

Outro lado


A assessoria de imprensa do shopping informou que a coordenação de segurança disse que nenhum segurança contratado pela empresa “teve contato” com Edward Santana Pinheiro. Disse ainda que a Polícia Militar tem acesso ao shopping em casos de suspeitas de crimes.

O também procurou a assessoria da Polícia Militar, que informou estar apurando informação para se manifestar sobre o caso.

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