Morte de Martin Luther King completa 50 anos




Exatamente a  50 anos morria  Martin Luther King. Pastor evangélico da Igreja Batista, ele foi conhecido principalmente por ser um dos maiores líderes do movimento por direitos civis e direitos dos negros nos Estados Unidos, durante os anos 1950 e 1960. Desde o fim do século 19, uma série de leis nos estados americanos do sul segregavam os negros dos brancos — sistema conhecido como Jim Crow. Nesses locais, era legal, por exemplo, haver banheiros, prédios públicos, assentos no transporte coletivo ou mesas em restaurantes reservados exclusivamente a brancos, com aspecto superior aos destinados aos negros. Havia também regras eleitorais que dificultavam ou impediam negros de votarem. Mesmo nos estados americanos sem legislação racista, o problema da discriminação era uma realidade. Luther King foi uma das principais vozes do movimento pela igualdade de direitos entre negros e brancos, que ganhou mais força a partir da década de 1950. As manifestações constantes ao longo dos anos, em diversos lugares do país, pressionaram o Congresso e o governo americano a aprovar e implementar a Lei dos Direitos Civis, em 1964. A nova legislação baniu toda segregação oficial por raça, cor, sexo, religião e nacionalidade no país inteiro. Prêmio Nobel da Paz em 1964, Luther King defendia manifestações sem violência, com atos de desobediência civil por parte dos negros. O líder Malcolm X e o Partido dos Panteras Negras, também referências centrais no movimento negro americano, defendiam o uso da força como forma de os negros ganharem espaço no país. Em 1968, Luther King foi assassinado na varanda do hotel onde estava hospedado em sua passagem por Memphis, no estado do Tennessee, sudeste do país. Ele tinha 39 anos, estava na cidade para apoiar manifestações de trabalhadores negros e havia feito um discurso público na véspera. O assassino foi James Earl Gray, criminoso que tinha simpatia por ideias de supremacia branca. Foi condenado e ficou preso por 29 anos, até a sua morte. No local do assassinato hoje funciona o Museu Nacional dos Direitos Civis. A morte de Luther King desencadeou uma série de protestos de grande escala pelo país, aumentando a tensão racial e social nos EUA, com violência nas manifestações e na repressão a elas.

DÉCADAS DE ESPERA

Apenas três décadas após o assassinato de Martin Luther King, a Justiça americana determinou que ele tinha sido vítima de uma conspiração, que envolveu inclusive agências governamentais. Em 1999, um juri do estado de Tennesse chegou a essa conclusão. Até então, a versão oficial era de que James Earl Ray, um fugitivo de uma prisão em Missouri, havia matado o líder pacifista.


O homem chegou a confessar o crime antes de ser julgado, em 1969, e foi condenado a 99 anos de prisão. Logo depois, no entanto, passou a dizer que era inocente. Após ser morto em Memphis, Luther King foi levado para ser enterrado em sua cidade natal, Atlanta. No dia seguinte ao seu assassinato, mesmo em pleno regime militar no Brasil, o Jornal do Brasil deu ampla cobertura ao caso.

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