Colunista aponta aumento de 17% de negras na publicidade brasileira / Foto: Adriana Komura - Reprodução - Folha de São Paulo


Desde que me envolvi com o universo da militância, meu foco é trabalhar em projetos que ajudem a aumentar o protagonismo do negro na sociedade e derrubar os clichês de que servimos apenas para ocupar posições subalternas.

Por isso comemoro cada movimento nessa direção. Dois exemplos recentes aconteceram no cinema. No Oscar deste ano, o roteirista e diretor Jordan Peele se tornou o primeiro negro a ganhar a estatueta de melhor roteiro original pelo filme "Corra!".

A outra boa surpresa foi o blockbuster "Pantera Negra". Com uma arrecadação de mais de US$ 940 milhões de dólares, superou "Mulher Maravilha" (2017), "Homem-Aranha: De Volta ao Lar" (2017) e "Deadpool" (2016) em bilheteria.

O que me chamou mais atenção foi que história protagonizada por um elenco majoritariamente negro não explora a dor, a pobreza e a miséria. A força do longa "Pantera Negra" está justamente em sua negritude.

Os personagens são líderes de reinos, inventores e criadores de alta tecnologia, fato que não se restringe à ficção, vale lembrar. O livro "Gênios da Humanidade: Ciência, Tecnologia e Inovação Africana e Afrodescendente" (2017), que lancei em parceria com o historiador Carlos Machado, traz perfis de mulheres e homens negros responsáveis por invenções que mudaram os rumos da história moderna mas caíram no esquecimento, como o do telefone celular e da antena parabólica.

Antropólogos afirmam que não é por acaso que a eleição de Barack Obama aconteceu depois do sucesso do seriado "24 horas", em que o presidente dos EUA era negro. De forma sutil e subliminar, as pessoas se acostumaram com a possibilidade de um presidente negro. A televisão educa e formata os comportamentos mais do que achamos.

A presença negra nas artes e na mídia pode ser medida em números. Uma pesquisa divulgada pela agência Heads, da ONU Mulheres, revela que as negras ganharam mais espaço na publicidade brasileira. Em campanhas de TV no segundo semestre de 2017, nosso percentual de participação foi de 21% - no primeiro semestre de 2016, éramos apenas 4%. O aumento foi de 17%.

Mas ainda há deslizes. Na programação de shows, palestras e exposições pelo Dia International da Mulher da Unibes Cultural, não havia sequer uma mulher negra entre as 20 palestrantes e artistas no palco. Uma falha e tanto em um evento no qual a diversidade deveria ser um imperativo.

Fonte : Folha de São Paulo

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