Grammy 2018: Artistas do hip-hop e R&B rompem, aos poucos, o latifúndio do racismo na música pop




O Grammy, como todas as “academias” de arte dos Estados Unidos, passa por um processo de aceitação do que antes era apenas uma cultura marginal


Quatro anos antes do Grammy ser criado – a primeira edição do prêmio ocorreu em 1959 –, o jovem negro Emmett Till, de 14 anos, foi espancado até a morte por um homem branco, na tentativa de impressionar uma garota, também branca. Os gramofones já eram entregues por seis anos quando ativistas negros marcharam de Selma a Montgomery, no Alabama, pelo direito de votar, e foram atacados por policiais – brancos, é claro. Casos como esses não faltam: a história da comunidade negra nos Estados Unidos é um fantasma distante de sumir.

É dessa segregação, combatida há décadas, que vem a origem do hip-hop, uma cultura de rua, de resistência, de personalidade própria que, hoje, é a representação mais genuína da rebeldia, da fúria, da paixão e do amor sentido pela juventude. Posto já ocupado pelo rock, naquelas décadas douradas, de Elvis ao fim dos anos 1980, quando os roqueiros estrelados buscavam clínicas de reabilitação, aposentavam-se ou morreram pelo caminho.

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