Preta Gil lembra consumismo compulsivo que a fez perder apartamento: 'É uma doença da alma'



Preta Gil abre neste domingo, dia 17, das 13h às 20h, seu brechó de luxo a preços populares (de R$ 10 a R$ 300), na Ilha do Itanhangá, a R$ 20 a entrada, na Zona Oeste do Rio. Toda a renda será revertida para a Casa do Amor, um asilo de idosas ex-moradoras de rua, em Recife, e para o Natal Melhor do Complexo do Alemão, no Rio. Este ano, Preta coloca à disposição do público três mil itens cedidos por parentes, marcas parceiras e amigos famosos como Angélica, Isis Valverde, Fernanda Souza, Taís Araújo, Lázaro Ramos, Carolina Dieckmann, Sabrina Sato e Letícia Lima.

Desde 2007, a cantora faz o bem e estimula o consumo consciente. Mas ela lembra que, há 20 anos, sua compulsão virou doença. Preta se endividou de tal maneira que acabou perdendo seu apartamento. Hoje, no alto de seus 15 anos de carreira — com um séquito de cinco milhões de seguidores no Instagram, casada com Rodrigo Godoy, avó e ativista de causas LGBT —, a artista soube reverter o problema em benfeitorias e virou um exemplo.

Estou 100% curada. Não compro mais nada por impulso. Quando eu era compulsiva, aquilo foi virando uma bola de neve, fui adquirindo dívidas e mais dívidas. Fiquei devendo muito ao cartão de crédito. Lembro até hoje do meu pai me dizendo: “Você tem um apartamento, então venda. Eu não vou te ajudar, você deixou isso acontecer”. Naquela época, ninguém achava que aquilo era doença, até hoje é um problema visto com preconceito, mas é, sim, uma doença da alma. Eu não tinha vício em bebida, drogas, nada disso. O meu vício era comprar e comer. Foi quando eu fiquei mais gorda na vida, cheguei a pesar mais de 100kg. Eram as duas válvulas de escape para a minha tristeza. Tive que me tratar e me sacrificar. Vendi o apartamento pelo qual lutei tanto. Comprava três pares de sapatos iguais, porque tinha medo de um estragar — recorda ela.

Durante o tratamento, com terapia e acompanhamento médico, Preta conta que deu um jeito e conseguiu comprar numa loja de grife três bolsas caríssimas. Sandra, sua mãe, surgiu novamente para tirá-la do fundo do poço, e dessa vez com Ivete Sangalo:

— Um dia, cheguei ao apartamento que eu tinha acabado de comprar, o mesmo que eu havia vendido dois anos antes, e dei de cara com Ivete e minha mãe. Elas colocaram as bolsas na sala, marcando os lugares dos móveis, e disseram: “Para cá, você poderia ter comprado um sofá; para lá, uma mesinha de centro...”. Eu tinha dinheiro, estava me tratando, e minha prioridade não deveriam ser três bolsas. Meu problema nem era peça cara

, era a quantidade. Uma bolsa de R$ 15/20 mil, quem pode, compra uma vez por ano; não duas, três. Não tem necessidade. Me dava uma excitação na hora, mas logo vinha um vazio absurdo. Hoje, eu penso muito antes de comprar algo de valor. Não tenho mais essa compulsão. Para eu comprar uma bolsa cara, por exemplo, penso se preciso mesmo. E, automaticamente, já pego uma ou duas e doo.

Passada a fase gastadeira, Preta não só vem promovendo ações sociais e o desapego, como segue ditando moda.

— Sempre fui muito vaidosa, mas nunca refém. Quando eu era magra, e fui por muitos anos, tinha estilo próprio. Conforme fui ficando gordinha, tive que ir aumentando meu grau de criatividade porque, infelizmente, a gente não tem no mercado roupas bonitas para as gordinhas. Hoje, até tem o início de uma história, mas há dez anos isso não existia. Eu não conseguia comprar tão facilmente como agora. Também tenho parceiros que desenvolvem peças para o meu tamanho, e isso foi gerando nas marcas uma transformação. 
A moda plus size é uma conquista, mas a gente ainda vive numa ditadura muito forte. A moda ainda não é para todos — pontua.

Seu manequim, 44, já não é mais um obstáculo, e o sonho antigo de lançar sua própria grife continua martelando:

— Gosto de fazer tudo com excelência. Ainda não encontrei o parceiro certo para desenvolver uma linha, mas acredito que, com o tempo, isso vá acontecer. O mais importante é que, há anos, eu movimento essa roda da democratização e acompanho essa evolução.
Fonte : Extra 
Opinião da Preta : Fazer o bem faz bem !

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