ROCCO PITANGA SOBRE CRIAR SOZINHO AS FILHAS ADOLESCENTES: “ELAS ME REVOLUCIONAM”

Rocco Pitanga, ator assumiu os cuidados de Bruna e Amanda em tempo integral após a morte da mãe das meninas



Na casa de Rocco Pitanga, no Rio, o diálogo é franco. E nem poderia ser diferente. Desde 2014, quando sua ex-mulher, Claudia Cunha, morreu, o ator de 37 anos cria sozinho as duas filhas, Bruna, de 12, e Amanda, de 13. “Na hora que soube o que tinha acontecido, pensei: ‘As meninas! Estou indo amanhã pegar as minhas filhas’”, lembra ele, que trouxe as adolescentes de Brasília, onde elas viviam com a mãe.

A experiência é familiar a Rocco. Ele e a irmã, Camila Pitanga, foram educados pelo pai, Antônio Pitanga, após o ator se separar da mãe deles, a modelo Vera Manhães, em 1986. “Eu fui criado por meu pai e minha irmã. Nunca tive dúvidas em ficar com minhas filhas. Tive esse modelo em casa. Tenho uma irmã três anos mais velha, que aos 18 já estava trabalhando, que tinha comprado carro, saído de casa. Eu tive o exemplo de meu pai e de minha irmã em relação à questão feminina e ao homem poder cuidar de uma menina”, lembra.



Na prática, o ator, que recentemente esteve em Rock Story, também precisou se adaptar. “Agora eu tenho que educar. As coisas que deixava passar quando ficava com elas só no final de semana tenho que fazer diferente. Mas é bom. Amanda e Bruna me fizeram comer jiló e berinjela, porque tenho que dar exemplo, né?", ri. "Bruna e Amanda me preparam para ser um cara melhor. Elas me revolucionam,”, afirma.




Para dar conta de todas as questões femininas da criação de duas adolescentes, Rocco opta pela sinceridade. “O melhor caminho é sempre a verdade. Tenho amigos que ‘abraçaram a causa’, e na família há muitas presenças femininas: a Camila, que é tia e madrinha, a Bené (Benedita da Silva, madrasta de Rocco), tem a filha da Bené, tem minhas amigas...”, explica ele, confessando que, às vezes, sai pela tangente. “Eu direciono! Falo ‘pergunta para sua tia’”, diverte-se.

Claudia tinha uma problema congênito raro e morreu repentinamente. “Foi um choque. A morte sempre é, mas ali era a mãe das minhas filhas, uma pessoa com quem tive uma relação”, lembra ele. Na época, Rocco e Claudia não estavam se falando. Quando Amanda e Bruna se mudaram para o Rio, ele e as filhas foram fazer terapia, algo que o ator nunca cogitou. “Não achava necessário, não queria. Camila falou 'agora você vai passar sua vida inteira a fundo na terapia'”, diz.

No começo, sua preocupação era enfatizar o positivo. “Foi uma situação impactante para todos. Procurei focar muito no positivo. Dizia para elas que as memórias tristes vão embora, as boas permanecem, falava que elas tiveram uma mãe maravilhosa e que tinha certeza de que a dor teria uma transição”, conta ele. Amanda e Bruna voltam sempre a Brasília, onde está a família materna. “A convivência continua”, explica ele, que namora a produtora Cecília Rabello, filha de Paulinho da Viola, há seis meses “Estamos em um processo de união, de morar na mesma casa”, diz ele.




A perda de Claudia também fez o ator repensar seus valores. “A Claudia faleceu, e a gente estava há seis anos sem se falar direito. Só nos falávamos por causa das meninas. Ela morreu, e entendi que a gente valoriza coisas tão pequenos! Tivemos duas filhas lindas, maravilhosas, mas não dava para fazer mais nada”, filosofa.

Dedicado à criação de Amanda e Bruna, Rocco não deixa de lado a carreira. Ele fez uma participação no seriado TOC’s de Dalila, com Heloísa Périssé, no Multishow, e viverá um homossexual no curta Dois Barcos. “Será o primeiro da minha carreira e quero contar essa história da melhor maneira possível”, diz ele.

Rocco também está envolvido em A Revolta dos Malês, sonho antigo de seu pai, que quer levar para o cinema a história dos escravos que se rebelaram na Salvador de 1835. “Ele está envolvido nesse projeto há 15 anos. A Manoela Dias, autora de Justiça, está mexendo no roteiro, minha irmã produz. Faço Dasalu, um dos malês, e o elenco está sendo montado. Tem Seu Jorge, João Miguel, Lázaro..”, adianta ele, que está ansioso pelo filme. “Já trabalhei com meu pai, mas nunca fiz nada com minha irmã”, diz ele, em paz com a fase atual. “Estou passando por um momento de amadurecimento muito bom na vida. Estou feliz”, afirma.
Fonte : Revista Quem
Assistente de fotografia: Rhavinne Vaz

Opinião da Preta : Felicidades a família Pitanga !

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