Mulheres negras que quebraram barreiras no universo da beleza



Se ser mulher já não é um mar de rosas na maior parte do tempo – o assédio nas ruas corre solto e no trabalho também, e os homens têm salários em média 24% mais altos –, ser uma mulher negra é ainda mais difícil. Além do racismo que existe no dia a dia, a violência é alarmante: no último ano, 65,3% das mulheres assassinadas no Brasil eram negras, e o número de mortes de negras aumentou 22% (enquanto o de não-negras diminuiu 7,4%).

Diante deste cenário desanimador, luta e resistência são necessárias e todo exemplo empoderador é bem-vindo. Aqui selecionamos alguns casos de mulheres negras que quebraram barreiras no universo da beleza. Onde parecia não haver espaço para negras, elas abriram uma fresta e entraram, deixando o caminho aberto para outras se animarem e as seguirem.

Conheça estas histórias.
Luana de Noailles – primeira modelo brasileira negra a fazer carreira internacional



Esta história parece um conto de fadas, mas é vida real.

No começo dos anos 1970, quando seu RG ainda trazia o nome Raimunda Nonata do Sacramento, Luana foi descoberta como modelo. Apesar de fazer vários desfiles pelo Brasil, não era assim tãããão valorizada no mercado nacional. Tudo mudou quando Paco Rabanne – o próprio, ele mesmo, em carne e osso – ficou maravilhado com sua beleza e a incentivou a tentar a sorte na Europa.

Ela topou, virou Luana, desfilou para Paco Rabanne, Chanel, Yves Saint Laurent e Christian Dior, fez dezenas de editoriais de moda em revistas badaladas, encantou a todos por anos e acabou virando condessa ao casar com o conde francês Gilles de Noailles. Hoje, eles vivem em Paris.

Deise Nunes – primeira Miss Brasil negra




Em 1986, o país viu pela primeira vez uma negra ser coroada Miss Brasil. Veja bem: já fazia 32 anos que o concurso existia e nunca uma negra havia recebido a coroa, a faixa e o manto de representante da nossa beleza – o que simplesmente não fazia sentido! A honra coube à gaúcha Deise Nunes, que se apresentou com seus cabelos naturais e um sorriso maravilhoso, além do porte e da elegância indispensáveis para uma Miss.

Tais Araújo – primeira negra na capa da Capricho




Antes de ser esta baita atriz e mulher forte, Tais Araújo foi modelo adolescente. E das boas. Estrelou vários editoriais em diversas revistas e, em novembro de 1995, fez história ao ser a primeira negra em uma capa da Capricho – *A* capa desejada por dez entre dez modelos teen do Brasil. A edição era comemorativa do fim do apartheid na África do Sul.

Gracie Carvalho e Emanuela de Paula – primeiras brasileiras negras a desfilar para a Victoria’s Secret



Brasileiras brancas a Victoria’s Secret já vinha tendo aos montes – Gisele Bündchen, Adriana Lima e Alessandra Ambrósio, entre outras –, até que em 2008 as negras Emanuela de Paula e Gracie Carvalho subiram à passarela da grife de lingerie para tornar justa a representatividade do nosso país.

Ana Flávia Santos – primeira negra a vencer o Super Model of the World Brasil





A baiana de 20 anos venceu o concurso da Ford Models em dezembro do ano passado e já dá seus primeiros passos na carreira de modelo. Esta foi a 24ª edição da etapa brasileira e nenhuma negra havia ficado em primeiro lugar até então. D-e-m-o-r-o-u!

Em edições anteriores, o Super Model of the World revelou a top Adriana Lima e a modelo e atriz Camila Queiroz, entre outros talentos.

Maraisa Fidelis – blogueira de beleza negra pioneira no Brasil


Quando Maraisa chegou ao mundo dos blogs de beleza, tudo era mato. O ano era 2012 e ela se jogou na internet com o Beleza Interior?, primeiro blog dedicado à beleza negra a fazer sucesso e ter repercussão no Brasil. Foi conquistando seu público fiel e hoje é influenciadora digital com 108 mil seguidores no Instagram. Todo mundo quer uma dica de Maraisa sobre maquiagem ou coloração para cabelos de negras.

Naomi Sims – primeira top negra dos EUA



Pode-se dizer que Naomi Sims foi, na virada dos anos 1960 para os 1970, o rosto. Ela foi escolhida o rosto do movimento Black Is Beautiful, foi a primeira negra a assinar contrato para ser o rosto da Revlon e a Life, revista mais prestigiada da época, deu um close de seu rosto na capa da edição sobre a ascensão dos modelos negros. E isso é só um pedacinho de tudo que ela fez durante a carreira.

Naomi foi a primeira top negra dos EUA porque insistiu muito para ser modelo: até cair nas graças do fotógrafo Gosta Peterson, que a colocou na capa do suplemento de moda do New York Times, ela ouviu redondos NÃOS de muitas agências, que alegavam na cara dura que ela não tinha futuro porque consideravam sua pele muito escura. Quantos bookers devem ter chorado de arrependimento…

Naomi Campbell – única negra do time das supermodelos dos anos 1990




Sims já havia se aposentado da vida de modelo quando outra Naomi, a Campbell, surgiu no mundo da moda. Ali pelo final dos anos 1980, a britânica foi descoberta e começou a se destacar.

No começo dos anos 1990, quando resolveram inventar um time de supermodelos para agitar um pouco as passarelas, Naomi Campbell foi a única negra escolhida para a turminha. Suas colegas de time foram Cindy Crawford, Christy Turlington, Linda Evangelista, Tatjana Patitz – isso mesmo, as protagonistas do clipe de “Freedom ‘90”, do George Michael – e Claudia Schiffer.

Chanel Iman – primeira angel negra da Victoria’s Secret




Muitas negras já desfilavam pela Victoria’s Secret, mas foi só em 2010 que uma delas, Chanel Iman, ganhou o cobiçado título de Angel da grife de lingerie. Angels, para quem não acompanha esse movimento, são as modelos principais dos desfiles, as que ganham as grandes asas e podem usar o Fantasy Bra, peça máxima de cada Victoria’s Secret Fashion Show.

Além disso, Chanel faz todas as semanas de moda do Hemisfério Norte.

Maria Borges – primeira modelo a desfilar com cabelo afro para a Victoria’s Secret



Não importa a cor da pele, uma característica sempre foi marcante nos desfiles da Victoria’s Secret: os cabelões enormes e lisos ou ondulados das modelos. A angolana Maria Borges quebrou o protocolo em 2015, quando entrou na passarela do Victoria’s Secret Fashion Show com seu cabelo afro curtíssimo, sem apliques, sem extensões, sem alisamento. Graças a ela, no ano passado mais modelos desfilaram com looks parecidos.

Reza a lenda que Maria insistiu por aaanos até a grife concordar. Arrasou na valorização da beleza negra natural!

Opinião da Preta : Sim, nós podemos!







Comentários

  1. Matéria linda! Parabéns, Preta! Só um adento: Raissa Santana não é paranaense. Ela é baiana de Itaberaba.

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    1. Obrigada, ja foi realizada a alteração . bj da preta

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