"Eu sou feminista" de Fernando Coelho




Falando francamente, sem metáforas nem meias voltas. Não é natural que a mulher tenha que se submeter às leis instituídas pelos homens. Homem não engravida. Homem estupra. Homem bate. Homem arranha e xinga. Homem humilha e exclui. Homem reclama do batom mais bonito, da saia mais curta, da ausência do sutiã, da mulher que lê e é escritora, daquelas que sorriem muito belo e alto, das que trabalham, das que ganham dinheiro e são independentes. Homens têm medo de mulheres inteligentes e
cultas. É uma situação vexatória e comum no mundo, e aqui no Brasil, sétimo colocado entre os países campeões em violência contra a mulher. A mulher sabe amar, tem um corpo parecido com um resumo da Constelação de Orion, quando faz amor tem esperança nos olhos, tem o dom de procriar, o seu orgasmo preenche os requisitos de uma concha soluçando, se arruma, se prepara, fica bonita para ser delicada e cordial. Mulher é o que temos de melhor e mais elaborado da criação. O homem, o tal de macho, o que dorme nu, calçando meias; o que no escritório é liberal e em casa escravagista; o que somente quer a mulher lavando, passando, cozinhando; o que não fala, grita; não tem o direito de elaborar códigos, nem leis, nem regras para falar de aborto, nem como a mulher deve reagir ao ser ofendida, pelo próprio macho, em seu maior patrimônio e mais eloquente, o corpo. O corpo da mulher não é para ser servido à arrogância do homem. Curioso que o macho não aceita a alegria feminina, o bom humor da mulher. As mulheres estão com medo de gritar, espernear, reclamar, botar a boca no mundo. Não precisa mais ter medo. Ah! Tenho paixão pelas bruxas e feiticeiras que possam com poções mágicas e venenos alquímicos, botar estes machos de plantão pra correr. O machão, ignorante, advoga em causa própria nos tribunais como advogado, nas cortes como juiz, nas delegacias como delegado, no celibato para oprimir, nas igrejas para reprimir, no Congresso Nacional para manipular, dentro de casa como patrão. A mulher não pode, nem deve mais aceitar submissão de homens assim. Eu nem vou rememorar a Idade Média. Então, ser homem pra que, cara-pálida? Mulher tem que ser livre e dona absoluta do próprio nariz. Eu sou feminista. E só.
Fonte: Fernando Coelho

Opinião da Preta: "Eu sou feminista."

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